quinta-feira, 20 de março de 2008

Uma resposta respeitosa!

Obrigado Flavio e Denise!
Denise, eu entendo seu lado, e conheço teu trabalho, confio nele, mas é fato que os interesses são conflitantes e de vez em quando não há como conciliar.
O que é importante, para mim, é ajudar a escancarar neste blog certas práticas que não são nada bacanas com o leitor. Sei que o mundo é injusto e sacana por definição, mas não é por isso que vou ficar quetinho e pronto. Não dá pra jogar conforme a música que nos impõem o tempo todo.
Por isso é bom mesmo que você diga que alguns jornalistas pedem isso: só aceito publicar esse release (informação, dica, whatever) se for exclusiva! Não pode passar pra ninguém até eu publicar e "furar" todos os concorrentes.
Não é uma chantagem?
Não é uma sacanagem com os leitores dos outros veículos?
Não é um favorecimento muito estranho, que na verdade ajuda mais aos jornalistas preguiçosos e às empresas que pagam assessorias para economizar com as agências de publicidade e com os veículos?
Para as assessorias e para os jornalistas preguiçosos a resposta é não.
Para mim é: sim!
Para a/o jornalista que recebeu e aceitou cair no colo a pauta que me propuseram como exclusiva, a resposta deve ser não, e deve pensar: como esse cara que recusou é trouxa!
Há muitos colegas que preferem esse lado da vida, o da preguiça mental, e há os que são tão pressionados pelos seus chefes que fazem qualquer coisa ("ética? pra quê? rsrs") para furar os concorrentes. Mesmo que seja por apenas um par de horas na internet. Grande "furo de reportagem" esse de um/a coleguinha certamente super esforçado...
Mas o principal motivo de fazer uma resposta pública é a menção ao veículo/editora em que trabalho. A minha opinião neste blog é pessoal, mesmo que seja sobre temas de trabalho.
Minha dúvida em relação à entrevista é legítima (já enviaram alguma resposta sobre o pedido, e eu não percebi?). E o post foi motivado pela reação da assessora que não gostou de eu ficar argumentando e contra-argumentando, e ela (imagino) achou melhor me retaliar retirando a oferta de entrevista.
Portanto, continuamos na mesma. Estou esperando a entrevista. E isso não tem NADA a ver com o espaço que o Informatica Hoje dá ou nao dá à HP.
Como você sabe bem disso, eu confesso que ainda estou pensando no motivo de você mencionar uma ação fora do meu alcance como se fosse uma decisão minha, e vinculada à concessão ou não da entrevista.
Como eu te conheço faz tempo, eu acho que você não fez por mal. Mas nas entrelinhas faz sim.

PS: Ia ser uma resposta exclusiva, mas como há dúvidas geradas acho melhor torná-la um post.

terça-feira, 11 de março de 2008

"Quer uma pauta exclusiva?"

(ou, "Como ganhar espaço na imprensa")

Esta é uma história que acontece todo dia. E o leitor não fica sabendo...
Uma empresa contrata uma assessoria de imprensa para facilitar seu relacionamento com os jornalistas, treinar seus executivos a responder abertamente algumas questões e ser incrivelmente vagos em perguntas importantes. Além disso, as empresas pressionam os assessores de imprensa a cavar espaço nos jornais, revistas e blogs com a proposta de "pauta exclusiva".
Funciona assim: a empresa tem um novo produto ou está interessado em divulgá-lo em um jornal, com o maior espaço possível, e --melhor ainda-- com a roupagem da "abordagem jornalística". Dá mais credibilidade e sai bem mais barato que comprar espaço publicitário no mesmo veículo --o que fomenta a saúde financeira da imprensa e da democracia!
Até aí, tudo bem, o jogo é esse, e os ingênuos dançam. Eu, jornalista, tenho que pensar no meu leitor, e não fazer o jogo das relações públicas. Isso não significa que vou ser refratário ou ter repulsa às propostas das assessorias. Aceito boas idéias, na boa.
Mas não gosto das propostas de "pautas exclusivas" porque as assessorias seguram a divulgação de um material que deveria ir ao mesmo tempo para toda a imprensa e elas o passam a um jornalista prometendo exclusividade até que ele o publique. Não gosto de ficar na obrigação de publicar algo, pressionado pela assessoria que quer ver logo o resultado publicado. De preferência, que eu publique rápido, com grande espaço e tom favorável. Em geral, eu recuso.
Tudo isso pra dizer que hoje fiquei surpreso com uma assessora, de uma gigante da tecnologia, a HP (sem rodeios). Ontem, ela propôs uma "exclusiva". Pedi mais informações, pra checar a relevância. A resposta veio. É a união entre a HP e uma parceira (não revelo o nome, seria sacanagem) que ainda é uma oferta ao mercado. Ou seja, ainda não tem clientes e pro meu leitor não serve, infelizmente. Se publicasse, sem análise e crítica, faria propaganda gratuita para as duas empresas.
Depois de esgrimirmos argumentos, concordei, marcamos horário, o entrevistado inclusive é meu colega da Politécnica. O papo ia ser bacana. Então, antes de ela desligar, eu disse "espera, e a entrevista que eu pedi há semanas com o presidente da empresa?". "Ah, isso está para ser decidido na reunião de amanhã, nós não temos poder sobre a agenda do presidente, que tem suas prioridades, inclusive atender jornalistas". Senti que entrevistar o presidente seria mais uma luta no limbo burocrático de decisões de uma corporação e reclamei:
-- Vou fazer papel de bobo se eu não conseguir a entrevista que eu pedi e fizer a entrevista a partir da oferta da assessoria, que pode virar uma publicidade gratuita. Ou seja, a minha demanda não é atendida e eu atendo a de vocês? -- E lembrei a ela que, quando a então CEO Carly Fiorina veio ao Brasil, a assessoria fez uma barbeiragem e me excluiu de um encontro da executiva com alguns jornalistas selecionados a dedo. Detalhe: eu pedia a entrevista há meses à empresa.
A resposta dela:
-- Então vamos fazer assim. Esquece a proposta que eu fiz, nós vamos oferecer a pauta a outro
veículo. E teu pedido de entrevista com o presidente continua lá, vamos ver na reunião.
Ahnn? Então tá.
Resumo da ópera. Se o jornalista não faz o que a assessoria deseja, e se é incisivo em seus pedidos incômodos, que ele se vire. A assessoria oferece o material exclusivo a teu concorrente. Divulgas a todos igualmente, nem pensar...
Como eu já estou há um bom tempo no mercado, e não procuro "furos de reportagem", mas sim fazer textos relevantes e inteligentes, não me importo.
Vou me importar se a empresa e assessoria enrolarem para atenderem meu pedido de entrevista... ;-)

quarta-feira, 5 de março de 2008

Chupinha press (ou: Por isso que jornalista ganha mal)

Os coleguinhas jornalistas que de vez em quando passam aqui até que já sabem do que estou falando. Mas quem não é, vai se espantar...
Entrevistei um diretor da Motorola, que me convidou para almoçar no ótimo Tordesilhas (totalmente recomendado!). Não é pelo fato que a empresa pagou a conta que eu vou fazer uma reportagem do jeito que eles querem, exaltando a empresa, sem um pingo de visão crítica. Vivo sendo cobrado sobre isso pelos meus editores. E nem precisavam, pois uso o cérebro na hora de escrever qualquer texto, certo?
Para alguns colegas, infelizmente, errado. A vida deles deve ser tão ruim, corrida ou mal paga que eles simplesmente reproduzem o discurso da empresa. A empresa contrata uma assessoria de imprensa, que escreve press-releases e manda pros jornalistas. Um release, assim como uma entrevista em almoço ou em um press tour, é apenas o ponto de partida para pensar sobre o tema, investigar um pouco que seja e escrever - pensando, refletindo, usando o cérebro pô!!
Pois é, justamente fui pesquisar sobre a história que o executivo da Motorola me contou, que um modelo de telefone móvel (não exatamente um celular) é usado pra escanear o código de barras do ingresso vendido pelo Cinemark pela internet, e enviado ao celular do cliente. Bacaninha a história. A cobertura da imprensa, em compensação é vergonhosa!

Olhem abaixo o press-release original.
Em seguida o texto do site da Consumidor Moderno. É reprodução ipsis literis do press-release! Ou os jornalistas são tao explorados que não têm tempo nem pra ir no banheiro, muito menos para pensar, ou recebem tão mal que nem se importam com a qualidade do texto. Ou os dois...



Abaixo, o material da Info Corporate. Só não é ipsis literis porque foram feitos cortes para o texto ser lido no tempo curto que --presume o site-- o internauta tem para ler a notícia. Eu acho que se o leitor clicou para ver o texto é porque está interessado ou curioso. E a última coisa que o jornalista deve fazer é enganar seu leitorado publicando exatamente o que a empresa (e muitas vezes anunciante) quer.



É por essas e outras que eu coloco o MP3 no ouvido e me concentro com uma música bacana para poder mandar ver em um texto. Meu cérebro merece esse prazer e o pagamento justo. Felizmente não tenho do que reclamar da empresa em que trabalho. Mas sim, desse mercado que explora tanto os coleguinhas que, no fim, me faz pensar que ganho metade do que merecia, e a empresa sabe que eu hoje sou caro para este mercado. Ainda bem que todos estão felizes aqui, hehehe.








quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Cuma? Qué? What?

Da série "Como Assim?":
  • A Matilde Ribeiro, fez compras no freeshop com o cartão de crédito do governo e pediu demissão. Então ela disse que a pressão por sua saída foi "racismo e preconceito". Cuma? Quando era ministra das politicas de inclusão racial, ela mostrou que é mais racista do que a grande maioria de brasileiros. Bom, em primeiro lugar, racismo de sinal trocado (contra quem não é negro) também É racismo. Em segundo lugar, que diabos de compra necessária para as atividades de seu ministério tinha que ser feita no free shop? Que vergonha passar por esse vexame hem? E o Orlando Silva, o risível ministro dos esportes, em breve deixará de ser. No fim, o povuquetanupudê ta fazendo a farra e honrando ainda mais a história do partido que jurou fazer justiça social (kkkkkkkk!)
  • Chávez depois de fazer barbeiragem na história dos reféns das amigas (dele) Farc: "As Farc são legítimas porque têm um projeto bolivariano, que apoiamos". Qué?? Que mierda es esa? Quer dizer que o grupo guerrilheiro-capaga-dos-cartéis-da-coca adivinhou, lááá nos anos 80 que existiria um Chávez, que inventaria o "bolivarianismo" e realizar o projeto de fundir a Colômbia à Venezuela? Claro, chefiado por Chávez e protegido militarmente pelas Farc e pela Guarda Bolivariana (a pessoal de Chávez). Hipótese que dá arrepios... Mas o poder "nostradamus" do ditador venezuelano mais me diverte que impressiona.
  • Lula, depois de visitar Fidel: "A saúde dele está ótima". KKKKK! Cuméquié companheiro? Não podia esperar o dia seguinte quando o proprio Partido Comunista Cubano disse que Fidel não tem mais condições de saúde? Bom, como ele mesmo diz, Lula é um presidente que não sabe de nada mesmo...
  • Bush: "I think that..., .... ...., (e um looooongo minuto de silencio constrangedor no púlpito (vi no Great Presidential Speeches, do David Letterman outro dia)". What? Ele ainda acha que pensa?

Próximo POST: O Fla-Flu Nerd (sobre Microsoft, Yahoo! e Google)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Very impressionante! Mucho loco!

Já tô careca de saber que no Brasil as leis são feitas para não serem cumpridas. Pior, gasta-se uma grana indecente para sustentar um Legislativo que as "produz" (kkk) e num Judiciário que as torce e enrola para facilitar a vida de criminosos e espertinhos.
Mas a Câmara está para aprovar uma lei que está entre a dor de barriga e a dor de dente. Por idéia do super inteligente (e stalinista) deputado Aldo Rabelo (PCdoB-SP), quem falar ou escrever uma palavra de língua estrangeira, será punido!
What?? Eso es en serio??
Ops, cometi uma contravenção? um crime tipificado em lei?
Vou tomar uma multa? Prisão? Cadeia unissex?
Tem punição diferente para cada crime cometido em um idioma diferente?
Um idioma é a expressão de um povo, seja involuído (mal-falado e grunhido) ou evoluído. Novas palavras são criadas e incorporadas todo dia. Para o bem e para o mal, claro. O português brasileiro é um idioma rico e sonoramente tentador, e graças também à inclusão e adaptação de palavras estrangeiras.
Por outro lado, há quem quer agradar os novos ricos e os pretensiosos de qualquer faixa de renda e sempre prefere usar "sale" em vez de "liquidação", ou batizar o prédio novo com um nome tipo Maison des Idiotes. Mas quem quer ser ridículo, que o seja. É opção da pessoa. É um direito constitucional da pessoa passar esse ridículo!
Só acho que é idiota fazer tanta gente perder tempo e dinheiro público com iniciativas como do tovarisch Aldo (ops! mais um crime de 5 pontos na carteira?).
Se a proposta de lei se restringisse aos documentos oficiais e à burocracia que ninguém tem saco de ler, ok, até faria sentido obrigar que se escreva apenas em português.
Mas a lei inclui o conteúdo de todos os meios de comunicação. Em português bem claro, seu Rabelo, isso chama-se censura! O Estado não pode determinar como qualquer pessoa quer expressar suas idéias. Não tem o direito constitucional de cercear, ameaçar ou limitar a expressão. Eu falo e escrevo como quiser. No one fucking idiot, ou huevón, vai tirar isso de mim e de ninguém.
A grande merda nisso tudo é que a lei é capaz de passar (os vereadores não acabaram e restituíram o rodízio em SP no mesmo dia, sem olhar o que votaram? Renan não é absolvido?).
O pior mesmo é que se o Congresso aprovar a lei e determinar punições, a única instância a impedir a besteira é uma canetada do Lula. Vocês sabem, aquele defende taaaanto a inteligência coletiva que faz questão de se orgulhar que é iletrado. Tão teimoso como uma Mula.
Capaz que ele não vete a lei e institua multas de quem falar uma palavra estrangeira, pra substituir a CPMF...

Retornando e andando...

(Este é daqueles posts que serão pouco lidos, mas... whatever!)

Escrever é um exercício diário. Às vezes é um tesão; outras, um sofrimento desgraçado, pois a tela teima de ficar em branco, enquanto o cérebro fervilha de idéias a ser ordenadas.
Tenho trabalhado muito, seis dias por semana. O tempo quase todo teclando e clicando. E, volta e meia, surge alguma coisa que me impele a escrever, e outro tanto de coisas rotineiras que me impede de reservar tempo pro blog.
Mas, como diz a Gabi Klein: vá blogar, menino!
Então, tô de volta rsrsrs
O objetivo inicial de comentar tecnologia para a América Latina vai ser cumprido em parte. Meu trabalho atual está na infra-estrutura de tecnologia, importantíssima, mas não tão cativante como fazer e sentir a reação das pessoas a esse novo mundo que as maquininhas eletrônicas nos trazem a cada dia.
Agora, além da tecnologia (que não pretendo abandonar), vou falar da vida e das coisas que não podem deixar de ser comentadas. Do bom e prazeiroso ao políticamente ridículo.
So, let's go!
Max

sexta-feira, 9 de março de 2007

Outro chip da discórdia

Era um domingão, tinha muito sol... e o Palmeiras ia jogar contra o Corinthians na TV Globo (3 a 0 foi pouco, hehehe!). Então, liguei a TV a cabo e... sem sinal! Mudei para a Bandeirantes. Havia imagem, mas estava péssima. Mudei pro Sportv e o sinal estava bloqueado. Achei que era um truque para me obrigar a comprar o pay-per-view. Mas só os canais pagos estavam bloqueados, os abertos (Record, SBT, MTV etc.) tinham imagem.

Liguei no ato para a NET. Digitei meu código de assinante e a atendente me chamou por outro nome, Alfredo, e me perguntou se eu era da empresa tal, no meu endereço. Claro que não, disse, ela disse para esperar e a ligação caiu. Liguei de novo, digitei tudo de novo e a segunda atendente disse que era um problema de sinal, ela enviou de novo, mas a resposta na TV era: "Seu Smart Card foi desativado, ligue para a operadora". O bendito smart card, com um chip, está no novo decodificador do serviço digital da NET.

Então a atendente disse que ia enviar um pedido de reforço de sinal para a área técnica, e que precisava esperar até oito horas para funcionar. Não funcionou e na noite de segunda-feira liguei de novo. A atendente disse que o pedido que a primeira enviou à área técnica era para liberar crédito do pay-per-view. (...) Não era o que pedi, então ela fez o pedido de novo e eu deveria esperar mais 8 horas.

Não funcionou! Terça de manhã liguei de novo, já pensando na conta telefônica dessa brincadeira. Consegui fazer que a atendente agendasse uma visita do técnico para trocar o bendito cartão com chip na quinta-feira de manhã. Saí pra trabalhar e de noite, nada de visita, e nada de sinal. Liguei de novo...

A primeira atendente disse que a visita não aconteceu por uma improcedência técnica e que remarcaria para o sábado de manhã. Como? Disse que isso já estava ficando ridículo e ela derrubou a ligação. Liguei de novo, já de saco cheio, mas ainda calmo. O atendente disse que não havia registro de visita agendada na quinta, mas apenas para o sábado de tarde. Aí pedi pra falar com o supervisor. Este se desculpou em nome da NET, abriu o sinal da HBO por um mês como cortesia, e disse que ia pedir para os técnicos aparecerem logo. Isso depois de 37 minutos de telefonema.

De que adianta a musiquinha de espera do call center da NET dizer: "Não se contente com pouco"? É antipropaganda. Em vez de pagar uma montanha de dinheiro para publicitários-gênios criarem um personagem-piada, o Coronel Tutshenko, a NET devia investir no call center, no treinamento dos operadores e no back office, para que os chips não dêem pau toda hora e façam a imagem da TV sumir por mágica. Lamentável, não?
* Imagem do site da NET e do chip da discórdia, editada por este blog.